Ponte Preta rejeita SAF apesar de maioria simples em assembleia
A Ponte Preta não criará uma Sociedade Anônima do Futebol neste momento. Em assembleia realizada no Moisés Lucarelli, 234 associados votaram pelo projeto e 150 contra, mas eram necessários 256 votos favoráveis, equivalentes a dois terços dos 384 presentes.
Os associados da Ponte Preta rejeitaram neste sábado, 19 de setembro de 2026, a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para administrar o departamento de futebol do clube. A Assembleia Geral Extraordinária foi realizada no Salão Nobre do Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, e terminou com 234 votos favoráveis e 150 contrários.
Embora o “sim” tenha obtido maioria simples, a alteração dependia da aprovação de dois terços dos 384 votantes presentes. O estatuto exigia 256 votos favoráveis. Assim, a proposta ficou 22 votos abaixo do mínimo necessário e o processo de criação da empresa que separaria o futebol das demais atividades associativas foi interrompido.
Principais pontos
- A proposta recebeu 234 votos favoráveis e 150 contrários.
- O quórum estatutário exigia 256 votos pelo “sim”.
- Havia 676 associados aptos; 384 participaram da votação.
- A deliberação não envolvia a venda imediata do futebol nem um investidor definido.
- A Ponte é lanterna da Série B, com 10 pontos e 22 jogos sem vencer.
- O próximo compromisso é contra o CRB, no Moisés Lucarelli.
Maioria não bastou para aprovar a mudança
A votação teve caráter secreto e individual e se estendeu até 14h30, após chamadas previstas para 8h e 8h30. Dos 676 associados aptos a participar, 384 compareceram, o equivalente a aproximadamente 56,8% do eleitorado habilitado. Não houve votos brancos ou nulos.
O placar revela uma maioria favorável à proposta entre os presentes, mas mudanças estruturais dessa dimensão dependiam de um patamar mais alto de concordância. O projeto recebeu 60,9% dos votos válidos, enquanto a regra estatutária determinava cerca de 66,7%.
José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, confirmou que a questão central foi o quórum qualificado, e não uma vantagem numérica da posição contrária. A apuração encerrou uma discussão que vinha mobilizando diferentes correntes políticas do clube desde agosto.
O que estava em votação
A assembleia não analisou a venda do futebol profissional, a transferência imediata de ativos ou a aprovação de um comprador. O objeto da deliberação era autorizar a constituição de uma SAF, por meio da separação do departamento de futebol em relação às demais atividades da associação civil.
Na prática, a aprovação abriria caminho institucional para etapas posteriores de estruturação da companhia. Um eventual contrato com investidor, porém, ainda dependeria de novas análises do Conselho Deliberativo e de outra manifestação dos associados.
O esclarecimento foi relevante depois de dúvidas e conflitos que cercaram a primeira tentativa de votação, em 24 de agosto. Na ocasião, a reunião acabou sem deliberação, em meio a tumultos, divergências sobre o alcance da medida e decisões judiciais.
O novo processo teve regras adicionais de transparência, incluindo divulgação antecipada da relação de aptos a votar, presença de tabeliães e filmagem integral da assembleia. Essas medidas foram determinadas em razão de ações levadas à Justiça por integrantes da oposição.
Resultado da Assembleia Geral Extraordinária
| Indicador | Número | Situação |
|---|---|---|
| Associados aptos a votar | 676 | Eleitorado habilitado |
| Associados presentes | 384 | 56,8% dos aptos |
| Votos favoráveis à SAF | 234 | Maioria simples |
| Votos contrários à SAF | 150 | Sem brancos ou nulos |
| Quórum exigido | 256 | Dois terços dos presentes |
| Diferença para aprovação | 22 votos | Projeto rejeitado |
Caminho havia avançado no Conselho Deliberativo
Antes de chegar aos associados, a discussão sobre a SAF já havia passado pelo Conselho Deliberativo. Em junho, o órgão aprovou a continuidade do processo com 106 votos favoráveis e 22 contrários, conforme informou a própria Ponte Preta. A reunião contou com 128 conselheiros presentes.
A nota do clube sobre a aprovação no Conselho Deliberativo apontou adesão de 83% dos participantes à sequência do debate. A etapa, contudo, não substituía a exigência de autorização da Assembleia Geral para a efetiva constituição da nova estrutura societária.
Agora, a rejeição impede o avanço imediato do projeto. Não há, até o fim da tarde deste sábado, confirmação de uma nova assembleia ou de uma versão alternativa da proposta. Uma eventual retomada exigirá nova convocação formal e a reconstrução de apoio suficiente entre os sócios.
“Em função disso, o resultado foi que a proposta foi rejeitada por não ter atingido o quórum mínimo de dois terços, conforme norma estatutária.”
— José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo da Ponte Preta
Crise amplia a pressão por soluções
A derrota da SAF ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente da Ponte Preta. O clube convive com atrasos salariais, perdas de jogadores durante a Série B, dificuldades para registrar reforços e tensão política em torno da atual administração.
Em 10 de setembro, a associação desembolsou cerca de R$ 2,2 milhões para retirar três transfer bans, em uma operação viabilizada por parceria com a SAF do Boavista-RJ. Uma das pendências era de R$ 1,4 milhão na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, parcelada em sete prestações de R$ 200 mil.
A operação para derrubar as punições de registro ocorreu após um período de severas restrições ao elenco. Ao longo da competição, a Ponte perdeu 19 atletas, em meio a relatos de dívidas trabalhistas e meses de salários pendentes.
A diretoria havia mencionado anteriormente uma oferta total de R$ 1 bilhão de um grupo de investidores como argumento para a formação da SAF. Os detalhes dessa eventual proposta, entretanto, não foram divulgados de modo completo, incluindo identidade dos investidores, garantias, cronograma e condições de aplicação dos recursos.
Retrato da votação e do cenário atual
O resultado deste sábado indica que a ideia de uma SAF não encontrou rejeição majoritária entre os presentes, mas ficou distante do consenso especial exigido para uma alteração de grande impacto na estrutura do clube. O desafio da direção passa a ser administrar a crise sem a ferramenta que vinha sendo apresentada como possibilidade de capitalização e reorganização.
- Associados aptos: 676.
- Participantes da assembleia: 384.
- Votos favoráveis: 234.
- Votos contrários: 150.
- Quórum necessário: 256 votos favoráveis.
- Diferença para a aprovação: 22 votos.
No campo esportivo, a urgência é imediata. A Macaca é a última colocada da Série B, soma 10 pontos e não vence há 22 partidas, sequência apontada como recorde negativo da competição. Na rodada anterior, a equipe foi derrotada por 6 a 0 pelo Londrina, fora de casa.
Governança e futebol seguem como frentes urgentes
Além da questão financeira, a Ponte Preta enfrenta impasse político. Já existe um requerimento com 158 assinaturas de conselheiros para convocação de assembleia destinada a discutir a destituição do presidente Luiz Torrano e do vice Marco Antonio Eberlin. Até a atualização mais recente, não havia anúncio sobre a convocação desse encontro.
Sem a aprovação da SAF, seguem pendentes respostas para a folha salarial, a negociação com credores, a manutenção do elenco e a regularidade administrativa. A rejeição não impede que outro modelo seja debatido no futuro, mas torna indispensável maior clareza sobre governança, preservação patrimonial, dívidas e eventuais parceiros financeiros.
Após a contagem, Abdalla Júnior avaliou o rito da reunião e declarou que “a assembleia transcorreu de uma maneira tranquila, organizada e ordeira. Um espírito democrático muito grande de toda a coletividade”.
Ponte volta a campo sob pressão
A Ponte Preta enfrenta o CRB neste domingo, às 11h, no Moisés Lucarelli, pela Série B. A partida ganha peso adicional diante da longa sequência sem vitórias e da necessidade de reagir na tabela em um momento de instabilidade fora de campo.
Administrativamente, o resultado da assembleia encerra a atual tentativa de criação da SAF, mas não resolve as pendências do clube. A direção e os órgãos internos terão de indicar quais medidas adotarão para enfrentar a crise financeira, política e esportiva sem a estrutura societária rejeitada pelos associados.
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Editor-chefe do Patinhar. Coordena a pauta de tecnologia e tutoriais, revisa cada publicação antes de ir ao ar e responde pelas correções e atualizações do conteúdo.
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