Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Ponte Preta rejeita SAF apesar de maioria simples em assembleia

A Ponte Preta não criará uma Sociedade Anônima do Futebol neste momento. Em assembleia realizada no Moisés Lucarelli, 234 associados votaram pelo projeto e 150 contra, mas eram necessários 256 votos favoráveis, equivalentes a dois terços dos 384 presentes.

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Os associados da Ponte Preta rejeitaram neste sábado, 19 de setembro de 2026, a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para administrar o departamento de futebol do clube. A Assembleia Geral Extraordinária foi realizada no Salão Nobre do Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, e terminou com 234 votos favoráveis e 150 contrários.

Embora o “sim” tenha obtido maioria simples, a alteração dependia da aprovação de dois terços dos 384 votantes presentes. O estatuto exigia 256 votos favoráveis. Assim, a proposta ficou 22 votos abaixo do mínimo necessário e o processo de criação da empresa que separaria o futebol das demais atividades associativas foi interrompido.

Principais pontos

  • A proposta recebeu 234 votos favoráveis e 150 contrários.
  • O quórum estatutário exigia 256 votos pelo “sim”.
  • Havia 676 associados aptos; 384 participaram da votação.
  • A deliberação não envolvia a venda imediata do futebol nem um investidor definido.
  • A Ponte é lanterna da Série B, com 10 pontos e 22 jogos sem vencer.
  • O próximo compromisso é contra o CRB, no Moisés Lucarelli.

Maioria não bastou para aprovar a mudança

A votação teve caráter secreto e individual e se estendeu até 14h30, após chamadas previstas para 8h e 8h30. Dos 676 associados aptos a participar, 384 compareceram, o equivalente a aproximadamente 56,8% do eleitorado habilitado. Não houve votos brancos ou nulos.

O placar revela uma maioria favorável à proposta entre os presentes, mas mudanças estruturais dessa dimensão dependiam de um patamar mais alto de concordância. O projeto recebeu 60,9% dos votos válidos, enquanto a regra estatutária determinava cerca de 66,7%.

José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, confirmou que a questão central foi o quórum qualificado, e não uma vantagem numérica da posição contrária. A apuração encerrou uma discussão que vinha mobilizando diferentes correntes políticas do clube desde agosto.

O que estava em votação

A assembleia não analisou a venda do futebol profissional, a transferência imediata de ativos ou a aprovação de um comprador. O objeto da deliberação era autorizar a constituição de uma SAF, por meio da separação do departamento de futebol em relação às demais atividades da associação civil.

Na prática, a aprovação abriria caminho institucional para etapas posteriores de estruturação da companhia. Um eventual contrato com investidor, porém, ainda dependeria de novas análises do Conselho Deliberativo e de outra manifestação dos associados.

O esclarecimento foi relevante depois de dúvidas e conflitos que cercaram a primeira tentativa de votação, em 24 de agosto. Na ocasião, a reunião acabou sem deliberação, em meio a tumultos, divergências sobre o alcance da medida e decisões judiciais.

O novo processo teve regras adicionais de transparência, incluindo divulgação antecipada da relação de aptos a votar, presença de tabeliães e filmagem integral da assembleia. Essas medidas foram determinadas em razão de ações levadas à Justiça por integrantes da oposição.

Resultado da Assembleia Geral Extraordinária

IndicadorNúmeroSituação
Associados aptos a votar676Eleitorado habilitado
Associados presentes38456,8% dos aptos
Votos favoráveis à SAF234Maioria simples
Votos contrários à SAF150Sem brancos ou nulos
Quórum exigido256Dois terços dos presentes
Diferença para aprovação22 votosProjeto rejeitado

Caminho havia avançado no Conselho Deliberativo

Antes de chegar aos associados, a discussão sobre a SAF já havia passado pelo Conselho Deliberativo. Em junho, o órgão aprovou a continuidade do processo com 106 votos favoráveis e 22 contrários, conforme informou a própria Ponte Preta. A reunião contou com 128 conselheiros presentes.

A nota do clube sobre a aprovação no Conselho Deliberativo apontou adesão de 83% dos participantes à sequência do debate. A etapa, contudo, não substituía a exigência de autorização da Assembleia Geral para a efetiva constituição da nova estrutura societária.

Agora, a rejeição impede o avanço imediato do projeto. Não há, até o fim da tarde deste sábado, confirmação de uma nova assembleia ou de uma versão alternativa da proposta. Uma eventual retomada exigirá nova convocação formal e a reconstrução de apoio suficiente entre os sócios.

“Em função disso, o resultado foi que a proposta foi rejeitada por não ter atingido o quórum mínimo de dois terços, conforme norma estatutária.”

— José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo da Ponte Preta

Crise amplia a pressão por soluções

A derrota da SAF ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente da Ponte Preta. O clube convive com atrasos salariais, perdas de jogadores durante a Série B, dificuldades para registrar reforços e tensão política em torno da atual administração.

Em 10 de setembro, a associação desembolsou cerca de R$ 2,2 milhões para retirar três transfer bans, em uma operação viabilizada por parceria com a SAF do Boavista-RJ. Uma das pendências era de R$ 1,4 milhão na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, parcelada em sete prestações de R$ 200 mil.

A operação para derrubar as punições de registro ocorreu após um período de severas restrições ao elenco. Ao longo da competição, a Ponte perdeu 19 atletas, em meio a relatos de dívidas trabalhistas e meses de salários pendentes.

A diretoria havia mencionado anteriormente uma oferta total de R$ 1 bilhão de um grupo de investidores como argumento para a formação da SAF. Os detalhes dessa eventual proposta, entretanto, não foram divulgados de modo completo, incluindo identidade dos investidores, garantias, cronograma e condições de aplicação dos recursos.

Retrato da votação e do cenário atual

O resultado deste sábado indica que a ideia de uma SAF não encontrou rejeição majoritária entre os presentes, mas ficou distante do consenso especial exigido para uma alteração de grande impacto na estrutura do clube. O desafio da direção passa a ser administrar a crise sem a ferramenta que vinha sendo apresentada como possibilidade de capitalização e reorganização.

  • Associados aptos: 676.
  • Participantes da assembleia: 384.
  • Votos favoráveis: 234.
  • Votos contrários: 150.
  • Quórum necessário: 256 votos favoráveis.
  • Diferença para a aprovação: 22 votos.

No campo esportivo, a urgência é imediata. A Macaca é a última colocada da Série B, soma 10 pontos e não vence há 22 partidas, sequência apontada como recorde negativo da competição. Na rodada anterior, a equipe foi derrotada por 6 a 0 pelo Londrina, fora de casa.

Governança e futebol seguem como frentes urgentes

Além da questão financeira, a Ponte Preta enfrenta impasse político. Já existe um requerimento com 158 assinaturas de conselheiros para convocação de assembleia destinada a discutir a destituição do presidente Luiz Torrano e do vice Marco Antonio Eberlin. Até a atualização mais recente, não havia anúncio sobre a convocação desse encontro.

Sem a aprovação da SAF, seguem pendentes respostas para a folha salarial, a negociação com credores, a manutenção do elenco e a regularidade administrativa. A rejeição não impede que outro modelo seja debatido no futuro, mas torna indispensável maior clareza sobre governança, preservação patrimonial, dívidas e eventuais parceiros financeiros.

Após a contagem, Abdalla Júnior avaliou o rito da reunião e declarou que “a assembleia transcorreu de uma maneira tranquila, organizada e ordeira. Um espírito democrático muito grande de toda a coletividade”.

Ponte volta a campo sob pressão

A Ponte Preta enfrenta o CRB neste domingo, às 11h, no Moisés Lucarelli, pela Série B. A partida ganha peso adicional diante da longa sequência sem vitórias e da necessidade de reagir na tabela em um momento de instabilidade fora de campo.

Administrativamente, o resultado da assembleia encerra a atual tentativa de criação da SAF, mas não resolve as pendências do clube. A direção e os órgãos internos terão de indicar quais medidas adotarão para enfrentar a crise financeira, política e esportiva sem a estrutura societária rejeitada pelos associados.

Referências

  1. Conselho Deliberativo aprova, com 83% dos presentes, o prosseguimento do processo de constituição da SAF (Associação Atlética Ponte Preta)
  2. Conselho da Ponte marca nova reunião para votação sobre SAF (ge)
  3. Ponte paga transfer bans com ajuda da SAF do Boavista (ge)

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Editor-chefe do Patinhar. Coordena a pauta de tecnologia e tutoriais, revisa cada publicação antes de ir ao ar e responde pelas correções e atualizações do conteúdo.

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