São Paulo tem até 28 de setembro para evitar transfer ban por dívida ao Novorizontino
O São Paulo tem até 28 de setembro de 2026 para resolver a pendência pela compra de Djhordney Ferreira junto ao Novorizontino. Um novo parcelamento está em negociação, mas ainda depende de formalização e da tramitação perante a ANRESF.
O São Paulo tem até a próxima segunda-feira, 28 de setembro de 2026, para afastar o risco de um transfer ban aplicado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O processo envolve a dívida pela compra do meio-campista Djhordney Ferreira, negociado com o Grêmio Novorizontino na primeira janela do ano.
A ameaça de bloqueio poderá ser evitada com a quitação do débito ou com a apresentação de um acordo de pagamento formalizado e aceito no procedimento. Nesta quarta-feira, 23 de setembro, o Novorizontino informou que os clubes encaminharam um novo parcelamento, embora ainda ajustem etapas burocráticas e não haja anúncio de homologação pela agência.
Principais pontos
- O prazo indicado para solução da pendência termina em 28 de setembro de 2026.
- A negociação por Djhordney Ferreira teve valor-base de R$ 1 milhão por 70% dos direitos econômicos.
- A cobrança inclui multa de R$ 100 mil e correção de 1% ao mês sobre parcelas vencidas.
- Novorizontino e São Paulo discutem novo parcelamento até o fim da temporada.
- Sem regularização, o clube poderá ficar impedido de registrar jogadores até resolver a dívida.
- O São Paulo já enfrentou bloqueio da Fifa em 2026 no caso Marcos Antônio.
Prazo final se aproxima para o clube tricolor
A ANRESF concedeu 45 dias ao São Paulo para solucionar a inadimplência apontada pelo Novorizontino. A decisão foi publicada em 12 de agosto, e o prazo final informado para a regularização é 28 de setembro. Se não houver pagamento ou solução aceita dentro do processo, a consequência prevista é o bloqueio de registros no Sistema Nacional de Registros (SNR).
O débito está relacionado a Djhordney Ferreira. O São Paulo adquiriu 70% dos direitos econômicos do jogador por R$ 1 milhão, em uma operação registrada na janela inicial de 2026. A condição inicialmente divulgada era de cinco parcelas de R$ 200 mil. Em agosto, a informação era de que nenhuma das prestações havia sido quitada.
O credor levou a questão à CBF no início de julho, depois de três notificações extrajudiciais, segundo a apuração publicada à época. A cobrança passou, então, pelo sistema de sustentabilidade financeira que entrou em funcionamento nesta temporada.
Vídeo: SÃO PAULO PODE TER NOVO TRANSFER BAN! DÍVIDA, MORUMBI E CRISE NOS BASTIDORES (Alexsander Vieira)
Valor cobrado supera R$ 1,1 milhão antes da correção mensal
A obrigação não se limita ao preço original da transferência. A determinação reportada em agosto estabelecia pagamento de R$ 1 milhão, acrescido de multa de R$ 100 mil e correção monetária de 1% ao mês sobre as parcelas em atraso. Portanto, o montante inicialmente descrito chegava a R$ 1,1 milhão, sem considerar a atualização incidente sobre os vencimentos.
O caso se enquadra nas regras plenas do novo sistema porque a contratação foi feita em 2026. Para compromissos assumidos antes de 1º de janeiro deste ano, há um período de adaptação até 30 de novembro no qual a medida prevista é advertência. Operações firmadas a partir deste ano, porém, podem levar às sanções estabelecidas no regulamento.
A página da agência sobre solvência e dívidas em atraso no sistema de sustentabilidade prevê o monitoramento de contratos e transferências registrados. Quando há atraso e denúncia do credor, o procedimento pode evoluir para impedimento de registro até a normalização da pendência.
Cronologia e valores do processo envolvendo Djhordney
| Data ou referência | Fato | Valor ou prazo |
|---|---|---|
| Início de julho de 2026 | Novorizontino denuncia o São Paulo após notificações extrajudiciais | Dívida da transferência |
| 12 de agosto de 2026 | ANRESF divulga decisão e concede prazo para solução | 45 dias |
| Negociação original de 2026 | Compra de 70% dos direitos econômicos de Djhordney | R$ 1 milhão |
| Condição inicial | Pagamento dividido em cinco prestações | 5 x R$ 200 mil |
| Cobrança reportada | Principal mais multa, sem incluir toda a atualização mensal | R$ 1,1 milhão |
| 28 de setembro de 2026 | Data-limite indicada para regularização | Evitar transfer ban |
| 29 de setembro de 2026 | Previsão de votação sobre acordo comercial do Morumbis | R$ 110 mi de adiantamento + R$ 30 mi na assinatura |
Novo parcelamento depende de assinatura e comunicação formal
A atualização mais recente reduz a tensão imediata, mas ainda não elimina o risco. O Novorizontino comunicou que um novo entendimento de parcelamento está sendo construído com o São Paulo para cumprimento até o final da temporada. A informação, no entanto, indica uma negociação em fase de conclusão, não uma dívida já quitada.
Para produzir efeito no processo, o compromisso precisa ser documentado, contar com a concordância inequívoca do clube credor e ser apresentado à ANRESF. Até a tarde desta quarta-feira, não havia confirmação pública de assinatura definitiva, de validação pela agência ou de encerramento da cobrança.
O cenário, portanto, tem duas possibilidades antes do vencimento: o São Paulo pode quitar a obrigação cobrada ou transformar o entendimento negociado em acordo formal capaz de suspender a ameaça de bloqueio. A diferença é relevante, pois uma tratativa entre departamentos jurídicos não equivale automaticamente a uma solução processual.
“O Grêmio Novorizontino informa que um novo acordo de parcelamento está sendo fechado entre os clubes, para que seja cumprido até o final desta temporada. No momento, os clubes acertam detalhes burocráticos para formalização do mesmo.”
— Grêmio Novorizontino, em posicionamento enviado à Band
Posicionamento do Novorizontino
Em manifestação enviada à Band, o clube de Novo Horizonte informou:
O Grêmio Novorizontino informa que um novo acordo de parcelamento está sendo fechado entre os clubes, para que seja cumprido até o final desta temporada. No momento, os clubes acertam detalhes burocráticos para formalização do mesmo.
A declaração confirma que há diálogo para reestruturar os pagamentos, mas também deixa claro que os documentos ainda estavam em elaboração. A reportagem sobre o acordo encaminhado entre São Paulo e Novorizontino por Djhordney apontou que a definição dependia justamente desses ajustes formais.
O que um transfer ban significaria na prática
Transfer ban é uma restrição administrativa para registrar atletas, não uma proibição de negociar ou de assinar contratos. Na prática, o clube punido não consegue incluir jogadores no sistema de registros enquanto não sanar a causa da sanção. Assim, qualquer movimentação futura fica condicionada à retirada do bloqueio.
A janela profissional está fechada neste momento, o que limita o impacto esportivo imediato. Ainda assim, a manutenção de uma punição até a abertura do próximo período de inscrições reduziria a capacidade de planejamento do São Paulo para contratações, reposições e registros. A apuração sobre o processo também aponta possível reflexo sobre vínculos de categorias de base.
- Sem ban: o São Paulo preserva a capacidade de registrar atletas nas próximas janelas, respeitadas as regras de cada competição.
- Com ban ativo: novos registros ficam bloqueados até a regularização da pendência.
- Com acordo formal: a análise dependerá da aceitação do entendimento no procedimento conduzido pela ANRESF.
- Com pagamento: o clube terá de comprovar a baixa da obrigação para afastar a restrição.
O caso não deve ser confundido com o chamado transfer ban preventivo aplicado em outras situações de monitoramento financeiro. No processo tricolor, a discussão decorre de uma dívida específica em uma transferência entre clubes brasileiros.
Histórico recente amplia pressão sobre a gestão financeira
O risco de nova punição acontece pouco tempo depois de o São Paulo ter enfrentado um bloqueio da Fifa. Em julho, o clube sofreu sanção por pendência com a Lazio, da Itália, na contratação do volante Marcos Antônio. A regularização veio no início de agosto, com o pagamento de R$ 6,2 milhões, permitindo a liberação de registros dentro da janela encerrada em 11 de setembro.
A sequência de episódios aumenta o peso institucional da cobrança atual. Ainda que o calendário de inscrições reduza o dano de curto prazo, uma restrição não resolvida poderia afetar diretamente a próxima janela e manter o clube sob pressão em seu planejamento esportivo e financeiro.
Há também expectativa em torno da reunião prevista para 29 de setembro no Conselho Deliberativo do São Paulo, que deve votar uma proposta comercial para a gestão de ingressos do Morumbis com a Ticketmaster. A operação mencionada prevê R$ 110 milhões de adiantamento e mais R$ 30 milhões na assinatura. Não há confirmação, contudo, de aprovação do contrato nem de destinação de qualquer recurso à dívida com o Novorizontino.
São Paulo precisa converter negociação em solução formal
O elemento decisivo nos próximos cinco dias será a formalização. A existência de conversa e a perspectiva de parcelamento mostram uma via aberta para o São Paulo, mas a ameaça só perde força efetiva com pagamento ou com um acordo devidamente documentado, aceito pelo Novorizontino e levado ao processo da ANRESF.
Até 28 de setembro, o clube terá de apresentar uma resposta concreta à cobrança. Na sequência, a atenção também se voltará à votação prevista para 29 de setembro no Conselho Deliberativo, em meio à busca por alternativas para aliviar a pressão sobre o caixa tricolor.
Referências
- São Paulo corre risco de transfer ban por dívida com Novorizontino (ge)
- São Paulo e Novorizontino encaminham acordo por Djhordney (Portal Band)
- São Paulo tem 45 dias para pagar dívida com Novorizontino e evitar novo transfer ban (ge)
- Solvência e dívidas em atraso (ANRESF)
- Por Fair Play, CBF determina transfer ban ao São Paulo se não pagar dívida (UOL)
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Editor-chefe do Patinhar. Coordena a pauta de tecnologia e tutoriais, revisa cada publicação antes de ir ao ar e responde pelas correções e atualizações do conteúdo.
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