Vasco encaminha venda da SAF após vitória de empresa de Lamacchia em leilão
A Almirante Participações, ligada a Marcos Lamacchia, venceu sozinha o processo competitivo pela nova SAF do Vasco em 25 de setembro. O clube já encaminhou os documentos aos órgãos internos, mas a transferência de 90% do controle depende de aprovações, reforma estatutária e análise da CBF.
O Vasco avançou na tentativa de vender o controle de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Após a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada ao empresário Marcos Faria Lamacchia, vencer o leilão judicial na sexta-feira, 25 de setembro, a diretoria cruz-maltina enviou a proposta aos órgãos internos do clube.
O procedimento competitivo, realizado na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, teve apenas uma concorrente formal. A vitória, porém, não encerra a negociação: a cessão de 90% da nova Vasco SAF ainda passa pelo Conselho Deliberativo, por Assembleia Geral Extraordinária, por ajustes societários e pela análise regulatória aberta pela CBF.
Principais pontos
- A Almirante Participações foi a única concorrente formal no leilão de 25 de setembro.
- A proposta prevê a aquisição de 90% da nova Vasco SAF.
- O clube associativo ficaria com 10%, exigindo alteração do Estatuto Social.
- O investimento obrigatório no futebol é de R$ 500 milhões entre 2026 e 2030.
- Pedrinho pediu sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para 6 de outubro.
- A CBF ainda apura possível conflito de interesse envolvendo a operação.
Leilão define proponente, mas não conclui a operação
A homologação do resultado do processo competitivo deu à Almirante Participações e Empreendimentos S.A. a condição de vencedora na compra da unidade que reunirá 90% do capital social e votante da nova Vasco SAF. Ligada a Marcos Lamacchia, a empresa foi a única a formalizar oferta na audiência de 25 de setembro.
O leilão foi necessário porque a negociação ocorre no contexto da recuperação judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da atual Vasco SAF. O modelo adotado foi o de alienação de uma UPI Equity, estrutura que permite a transferência das ações destinadas ao futebol sem atribuir automaticamente ao comprador o passivo histórico submetido à recuperação.
A proposta vencedora era a referência do processo. A Almirante atuava como stalking horse bidder, isto é, apresentou a oferta-base e teria o direito de cobrir eventual lance superior. Nenhum outro investidor apresentou proposta efetiva no procedimento judicial.
Vídeo: 25/09 É O GRANDE DIA!!! MARCOS LAMACCHIA E O LEILÃO DA VASCO SAF!! (Amadeu Vasco)
Documentos foram enviados aos conselhos do clube
Na noite da própria sexta-feira, a administração vascaína encaminhou os documentos da oferta aos presidentes do Conselho Deliberativo, do Conselho de Beneméritos, do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral. O objetivo é abrir o debate interno sobre as condições comerciais e as mudanças necessárias para implementar a nova estrutura societária.
Em ofício assinado pelo presidente Pedrinho, o Vasco solicitou a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para 6 de outubro. Nessa etapa, os conselheiros deverão analisar tanto a operação quanto a proposta de adequação do Estatuto Social. O pedido foi feito após o clube confirmar oficialmente a homologação da proposta da Almirante.
Não há, até a manhã deste sábado, 26 de setembro, data divulgada para uma Assembleia Geral Extraordinária. Essa votação dos associados será indispensável para validar os passos subsequentes do negócio.
Números e datas da proposta pela nova Vasco SAF
| Item | Valor ou data | Condição |
|---|---|---|
| Participação destinada à Almirante | 90% | Capital social e votante da nova SAF |
| Participação prevista ao CRVG | 10% | Depende de reforma estatutária |
| Aportes no futebol | R$ 500 milhões | Cinco parcelas de R$ 100 milhões, de 2026 a 2030, corrigidas pelo INPC |
| CT profissional | R$ 120 milhões | Investimento previsto em dez anos |
| Categorias de base | R$ 30 milhões | Investimento previsto em dois anos |
| Sessão solicitada do Conselho Deliberativo | 6 de outubro de 2026 | Análise da venda e da alteração estatutária |
Redução da participação do clube exige reforma estatutária
O ponto mais sensível no ambiente político do Vasco é a participação que ficará com o clube associativo. Pelo desenho do negócio, a Almirante assumiria 90% da nova SAF, enquanto o CRVG preservaria 10% do capital.
O percentual não se encaixa na regra atual do Estatuto Social vascaíno, que estabelece uma participação mínima de 20% do clube na SAF. Assim, a aprovação da venda envolve mais do que a simples aceitação da proposta financeira: será preciso aprovar uma reforma que altere a referência de poder e representação do associativo na empresa de futebol.
A discussão também delimitará as garantias institucionais do Vasco na nova sociedade. A eventual aprovação no Conselho Deliberativo não substitui a manifestação dos sócios em Assembleia, que terá de ocorrer depois dos ritos internos previstos.
“Todo mundo esperava que eu tivesse um desempenho no campo muito forte. Mas aconteceu o contrário, o Vasco andou em termos administrativos como não andava há anos. Em campo, deixamos a desejar. Eu sabia que esse era o preço de um processo de reestruturação.”
— Pedrinho, presidente do Vasco
Aportes previstos para futebol, base e infraestrutura
O núcleo financeiro da proposta prevê R$ 500 milhões de aportes obrigatórios direcionados exclusivamente ao futebol. O dinheiro deve ser injetado em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, entre 2026 e 2030, com correção pelo INPC.
Além da quantia voltada ao elenco e à operação esportiva, os termos divulgados incluem recursos específicos para estrutura. Estão previstos R$ 120 milhões em dez anos para o centro de treinamento do time profissional e R$ 30 milhões em dois anos para as categorias de base.
Os principais compromissos informados são:
- R$ 500 milhões: aportes no futebol de 2026 a 2030;
- R$ 120 milhões: investimentos no CT profissional em até dez anos;
- R$ 30 milhões: recursos para a base em até dois anos;
- Até R$ 150 milhões: busca por incentivos fiscais em um horizonte de dez anos.
Segundo os dados publicados sobre o processo, Lamacchia ainda fez depósito judicial de R$ 27 milhões, correspondente à antecipação de valores relacionados a dois anos da recuperação judicial. A empresa venceu o leilão como única proponente formal e terá de cumprir as condições da proposta caso todos os ritos sejam concluídos.
São Januário e a relação entre SAF e associativo
O acordo desenhado para a nova companhia também aborda o uso de São Januário. A vencedora teria prioridade e exclusividade para utilizar o estádio até 31 de dezembro de 2030, mediante pagamento anual de R$ 3 milhões ao clube associativo.
Há uma condição vinculada às obras: caso uma reforma impeça o uso do estádio, o valor anual cairia para R$ 2 milhões. O dispositivo é relevante porque a casa vascaína permanece central para receitas de jogos, identidade do clube e planos de modernização de infraestrutura.
Na avaliação institucional, a nova configuração busca separar a operação empresarial do futebol das atividades do associativo, preservando uma participação minoritária do CRVG. Os termos finais, entretanto, dependem da aprovação política e da formalização jurídica que ainda não foram concluídas.
Análise da CBF é fator externo de atenção
Além das deliberações internas, a operação é acompanhada pela agência de regulação e sustentabilidade financeira da CBF. O órgão abriu procedimento para verificar a existência de possível conflito de propriedade ou influência cruzada entre clubes da mesma competição.
A apuração decorre da relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Lamacchia é enteado da dirigente palmeirense. O processo tramita sob sigilo e não existe, até agora, decisão pública sobre o caso.
Por isso, uma eventual aprovação dos conselhos e dos associados do Vasco não elimina a necessidade de compatibilização com as normas de integridade do futebol brasileiro. A análise da CBF é o principal ponto regulatório externo que permanece pendente.
O que falta para Lamacchia assumir a SAF
O próximo marco conhecido é a sessão extraordinária do Conselho Deliberativo pedida para 6 de outubro. Se a proposta e a mudança estatutária avançarem, o Vasco deverá convocar a Assembleia Geral Extraordinária para a decisão dos associados.
Em paralelo, haverá a conclusão dos atos societários e judiciais e o acompanhamento da apuração da CBF. A expectativa interna é finalizar os ritos até o fim de outubro, desde que não ocorram recursos relevantes ou obstáculos regulatórios, mas não há prazo definitivo assegurado.
Referências
- Proposta da Almirante de Lamacchia é homologada no processo competitivo pela SAF (Vasco Social)
- Leilão confirma empresa de Marcos Lamacchia como compradora da SAF do Vasco (UOL)
- Vasco abre processo na Justiça para venda de 90% da SAF e prevê aporte mínimo de R$ 500 milhões em nova operação (ge)
- Proposta de enteado de Leila Pereira vence leilão por SAF do Vasco (Folha de S.Paulo)
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Editor-chefe do Patinhar. Coordena a pauta de tecnologia e tutoriais, revisa cada publicação antes de ir ao ar e responde pelas correções e atualizações do conteúdo.
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