Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Vasco encaminha venda da SAF após vitória de empresa de Lamacchia em leilão

A Almirante Participações, ligada a Marcos Lamacchia, venceu sozinha o processo competitivo pela nova SAF do Vasco em 25 de setembro. O clube já encaminhou os documentos aos órgãos internos, mas a transferência de 90% do controle depende de aprovações, reforma estatutária e análise da CBF.

Por Publicado em 7 min de leitura
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O Vasco avançou na tentativa de vender o controle de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Após a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada ao empresário Marcos Faria Lamacchia, vencer o leilão judicial na sexta-feira, 25 de setembro, a diretoria cruz-maltina enviou a proposta aos órgãos internos do clube.

O procedimento competitivo, realizado na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, teve apenas uma concorrente formal. A vitória, porém, não encerra a negociação: a cessão de 90% da nova Vasco SAF ainda passa pelo Conselho Deliberativo, por Assembleia Geral Extraordinária, por ajustes societários e pela análise regulatória aberta pela CBF.

Principais pontos

  • A Almirante Participações foi a única concorrente formal no leilão de 25 de setembro.
  • A proposta prevê a aquisição de 90% da nova Vasco SAF.
  • O clube associativo ficaria com 10%, exigindo alteração do Estatuto Social.
  • O investimento obrigatório no futebol é de R$ 500 milhões entre 2026 e 2030.
  • Pedrinho pediu sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para 6 de outubro.
  • A CBF ainda apura possível conflito de interesse envolvendo a operação.

Leilão define proponente, mas não conclui a operação

A homologação do resultado do processo competitivo deu à Almirante Participações e Empreendimentos S.A. a condição de vencedora na compra da unidade que reunirá 90% do capital social e votante da nova Vasco SAF. Ligada a Marcos Lamacchia, a empresa foi a única a formalizar oferta na audiência de 25 de setembro.

O leilão foi necessário porque a negociação ocorre no contexto da recuperação judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da atual Vasco SAF. O modelo adotado foi o de alienação de uma UPI Equity, estrutura que permite a transferência das ações destinadas ao futebol sem atribuir automaticamente ao comprador o passivo histórico submetido à recuperação.

A proposta vencedora era a referência do processo. A Almirante atuava como stalking horse bidder, isto é, apresentou a oferta-base e teria o direito de cobrir eventual lance superior. Nenhum outro investidor apresentou proposta efetiva no procedimento judicial.

Vídeo: 25/09 É O GRANDE DIA!!! MARCOS LAMACCHIA E O LEILÃO DA VASCO SAF!! (Amadeu Vasco)

Documentos foram enviados aos conselhos do clube

Na noite da própria sexta-feira, a administração vascaína encaminhou os documentos da oferta aos presidentes do Conselho Deliberativo, do Conselho de Beneméritos, do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral. O objetivo é abrir o debate interno sobre as condições comerciais e as mudanças necessárias para implementar a nova estrutura societária.

Em ofício assinado pelo presidente Pedrinho, o Vasco solicitou a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para 6 de outubro. Nessa etapa, os conselheiros deverão analisar tanto a operação quanto a proposta de adequação do Estatuto Social. O pedido foi feito após o clube confirmar oficialmente a homologação da proposta da Almirante.

Não há, até a manhã deste sábado, 26 de setembro, data divulgada para uma Assembleia Geral Extraordinária. Essa votação dos associados será indispensável para validar os passos subsequentes do negócio.

Números e datas da proposta pela nova Vasco SAF

ItemValor ou dataCondição
Participação destinada à Almirante90%Capital social e votante da nova SAF
Participação prevista ao CRVG10%Depende de reforma estatutária
Aportes no futebolR$ 500 milhõesCinco parcelas de R$ 100 milhões, de 2026 a 2030, corrigidas pelo INPC
CT profissionalR$ 120 milhõesInvestimento previsto em dez anos
Categorias de baseR$ 30 milhõesInvestimento previsto em dois anos
Sessão solicitada do Conselho Deliberativo6 de outubro de 2026Análise da venda e da alteração estatutária

Redução da participação do clube exige reforma estatutária

O ponto mais sensível no ambiente político do Vasco é a participação que ficará com o clube associativo. Pelo desenho do negócio, a Almirante assumiria 90% da nova SAF, enquanto o CRVG preservaria 10% do capital.

O percentual não se encaixa na regra atual do Estatuto Social vascaíno, que estabelece uma participação mínima de 20% do clube na SAF. Assim, a aprovação da venda envolve mais do que a simples aceitação da proposta financeira: será preciso aprovar uma reforma que altere a referência de poder e representação do associativo na empresa de futebol.

A discussão também delimitará as garantias institucionais do Vasco na nova sociedade. A eventual aprovação no Conselho Deliberativo não substitui a manifestação dos sócios em Assembleia, que terá de ocorrer depois dos ritos internos previstos.

“Todo mundo esperava que eu tivesse um desempenho no campo muito forte. Mas aconteceu o contrário, o Vasco andou em termos administrativos como não andava há anos. Em campo, deixamos a desejar. Eu sabia que esse era o preço de um processo de reestruturação.”

— Pedrinho, presidente do Vasco

Aportes previstos para futebol, base e infraestrutura

O núcleo financeiro da proposta prevê R$ 500 milhões de aportes obrigatórios direcionados exclusivamente ao futebol. O dinheiro deve ser injetado em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, entre 2026 e 2030, com correção pelo INPC.

Além da quantia voltada ao elenco e à operação esportiva, os termos divulgados incluem recursos específicos para estrutura. Estão previstos R$ 120 milhões em dez anos para o centro de treinamento do time profissional e R$ 30 milhões em dois anos para as categorias de base.

Os principais compromissos informados são:

  • R$ 500 milhões: aportes no futebol de 2026 a 2030;
  • R$ 120 milhões: investimentos no CT profissional em até dez anos;
  • R$ 30 milhões: recursos para a base em até dois anos;
  • Até R$ 150 milhões: busca por incentivos fiscais em um horizonte de dez anos.

Segundo os dados publicados sobre o processo, Lamacchia ainda fez depósito judicial de R$ 27 milhões, correspondente à antecipação de valores relacionados a dois anos da recuperação judicial. A empresa venceu o leilão como única proponente formal e terá de cumprir as condições da proposta caso todos os ritos sejam concluídos.

São Januário e a relação entre SAF e associativo

O acordo desenhado para a nova companhia também aborda o uso de São Januário. A vencedora teria prioridade e exclusividade para utilizar o estádio até 31 de dezembro de 2030, mediante pagamento anual de R$ 3 milhões ao clube associativo.

Há uma condição vinculada às obras: caso uma reforma impeça o uso do estádio, o valor anual cairia para R$ 2 milhões. O dispositivo é relevante porque a casa vascaína permanece central para receitas de jogos, identidade do clube e planos de modernização de infraestrutura.

Na avaliação institucional, a nova configuração busca separar a operação empresarial do futebol das atividades do associativo, preservando uma participação minoritária do CRVG. Os termos finais, entretanto, dependem da aprovação política e da formalização jurídica que ainda não foram concluídas.

Análise da CBF é fator externo de atenção

Além das deliberações internas, a operação é acompanhada pela agência de regulação e sustentabilidade financeira da CBF. O órgão abriu procedimento para verificar a existência de possível conflito de propriedade ou influência cruzada entre clubes da mesma competição.

A apuração decorre da relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Lamacchia é enteado da dirigente palmeirense. O processo tramita sob sigilo e não existe, até agora, decisão pública sobre o caso.

Por isso, uma eventual aprovação dos conselhos e dos associados do Vasco não elimina a necessidade de compatibilização com as normas de integridade do futebol brasileiro. A análise da CBF é o principal ponto regulatório externo que permanece pendente.

O que falta para Lamacchia assumir a SAF

O próximo marco conhecido é a sessão extraordinária do Conselho Deliberativo pedida para 6 de outubro. Se a proposta e a mudança estatutária avançarem, o Vasco deverá convocar a Assembleia Geral Extraordinária para a decisão dos associados.

Em paralelo, haverá a conclusão dos atos societários e judiciais e o acompanhamento da apuração da CBF. A expectativa interna é finalizar os ritos até o fim de outubro, desde que não ocorram recursos relevantes ou obstáculos regulatórios, mas não há prazo definitivo assegurado.

Referências

  1. Proposta da Almirante de Lamacchia é homologada no processo competitivo pela SAF (Vasco Social)
  2. Leilão confirma empresa de Marcos Lamacchia como compradora da SAF do Vasco (UOL)
  3. Vasco abre processo na Justiça para venda de 90% da SAF e prevê aporte mínimo de R$ 500 milhões em nova operação (ge)
  4. Proposta de enteado de Leila Pereira vence leilão por SAF do Vasco (Folha de S.Paulo)

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Editor-chefe do Patinhar. Coordena a pauta de tecnologia e tutoriais, revisa cada publicação antes de ir ao ar e responde pelas correções e atualizações do conteúdo.

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